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De Território Federal a Patrimônio da Humanidade

A Constituição de 1988 encerrou o status de Território Federal e reincorporou Fernando de Noronha ao estado de Pernambuco, como distrito estadual. No mesmo ano, cerca de 70% da área do arquipélago foi transformada em Parque Nacional Marinho de Fernando de Noronha, sob gestão do então IBAMA (hoje ICMBio) — um marco que redirecionou a vocação da ilha para a conservação ambiental.

Nos anos seguintes, a infraestrutura militar remanescente foi sendo gradualmente desativada ou reaproveitada, e o turismo começou a se desenvolver como principal atividade econômica, substituindo por completo as antigas vocações penal e militar da ilha.

Em 2001, a UNESCO declarou o conjunto formado por Fernando de Noronha e o Atol das Rocas Patrimônio Natural da Humanidade, sob o nome oficial "Brazilian Atlantic Islands: Fernando de Noronha and Atol das Rocas Reserves". O reconhecimento considera três critérios: a beleza cênica excepcional da paisagem marinha, a importância do arquipélago nos processos de reprodução e dispersão da vida marinha do Atlântico Sul, e a riqueza de sua biodiversidade — incluindo áreas de reprodução de atuns, tubarões, tartarugas e mamíferos marinhos, além da maior concentração de aves marinhas tropicais do Atlântico Ocidental. O título reforçou o compromisso da ilha com o turismo sustentável, e hoje o número de visitantes é controlado por meio de taxas ambientais e limite diário, política vista como referência de equilíbrio entre visitação e preservação.

Hoje, Fernando de Noronha vive de um turismo consciente e regulado — o principal legado dessa longa trajetória que passou pela capitania hereditária, pelos fortes coloniais, por mais de um século como presídio e por décadas como base militar estratégica.

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