Darwin e os naturalistas que descreveram Fernando de Noronha
Na ausência de registros sobre a flora e a fauna primitivas de Fernando de Noronha — vítimas de séculos de exploração desordenada dos recursos naturais —, boa parte do que se sabe sobre o passado ecológico da ilha vem dos relatos de naturalistas que passaram por ali em diferentes épocas.
O primeiro texto sobre a descoberta da ilha é de Américo Vespúcio, em 10 de agosto de 1503: ele a descreve desabitada, com muitas águas doces e correntes, infinitas árvores e inúmeras aves — entre os poucos animais terrestres registrados, apenas ratos grandes e lagartixas. Em 1612, o frade francês Claude d'Abbeville descreveu a ilha como uma das melhores terras e extremamente fértil.
O visitante mais célebre, porém, chegou em 1832: Charles Darwin esteve em Fernando de Noronha durante sua expedição ao redor do mundo a bordo do navio inglês Beagle — viagem que mais tarde renderia os relatos que embasariam sua teoria da evolução das espécies. Foi ali que Darwin realizou suas primeiras coletas botânicas na ilha, contribuindo para a classificação de espécies hoje consideradas endêmicas, como o cacto Cereus insularis, a Oxalis noronhae e o Ficus noronhae.
Em 1862, o Brigadeiro Henrique de Beaurepaire Rohan visitou o arquipélago e registrou nunca ter visto nada mais monótono que o aspecto botânico da ilha, comparando sua vegetação esguia à caatinga nordestina. Já em 1890, o botânico inglês H. N. Ridley conduziu o primeiro estudo científico da flora local, com a descrição mais completa já feita da vegetação do arquipélago, incluindo as espécies introduzidas tanto para cultivo quanto para ornamentação.
