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Os Fortes de Fernando de Noronha

O povoamento português do arquipélago, a partir do século XVIII, teve nas fortificações uma de suas maiores obras: a primeira foi erguida em 1737 pela Coroa Portuguesa, que buscava proteger definitivamente a ilha de invasões estrangeiras dada sua posição estratégica no Atlântico — Noronha já havia sido abordada por franceses, holandeses e ingleses ao longo dos dois séculos anteriores. Ao todo, foram construídas dez fortificações, a maioria ainda visitável hoje, em diferentes estados de conservação.

O Forte Nossa Senhora dos Remédios é a maior fortificação de todo o sistema defensivo, erguida sobre uma colina entre o Porto de Santo Antônio e a Praia dos Remédios, dominando a povoação da Vila dos Remédios. É o mais visitado e o de melhor estrutura para receber turistas — a visita é paga, com uma taxa de cerca de R$ 100 que dá acesso ao espaço; em dias com evento privado marcado no forte, a taxa não garante acesso ao evento em si.

A Fortaleza de Nossa Senhora da Conceição, com construção iniciada em 1737, tem planta quadrada e defendia a Praia do Meio e a Praia da Conceição. Chegou a funcionar como enfermaria do Presídio no final do século XIX, atendendo cerca de 60 doentes entre soldados da guarnição e sentenciados, numa área de 240 m².

O Forte de São Joaquim do Sueste, do século XVIII, tinha planta quadrada e três baterias com seis peças, protegendo a Baía do Sueste numa área de 637 m² — construção considerada frágil para a função defensiva que deveria exercer.

O Forte de São João Batista dos Dois Irmãos, erguido em meados do século XVIII, fica nas proximidades do Morro Dois Irmãos, uma das paisagens mais reconhecíveis da ilha, e abrange 620 m².

O Forte do Bom Jesus do Leão tem formato hexagonal, com 1.084 m² e vestígios de quatro baterias; suas muralhas, de 1,90 m de espessura, comportavam 11 peças de artilharia — a data exata de sua construção é desconhecida.

O Forte de Santo Antônio, com construção iniciada em 1737, tem planta poligonal irregular e 1.080 m² de área; ficava próximo ao ponto de onde partem até hoje os barcos e lanchas da ilha, protegendo o principal desembarque.

O Reduto de Sant'Anna foi construído em meados do mesmo século e desativado no final dele, quando virou casa e galeria para acomodar cerca de 50 sentenciados. Serviu de dormitório do presídio comum e abrigou soldados durante a Segunda Guerra Mundial.

O Forte de Santa Cruz do Pico teve construção iniciada em 1737; do original, restaram apenas os alicerces e vestígios de três lanças.

O Forte de São Pedro do Boldró não tem data exata de construção conhecida. Tinha forma de trapézio, com três baterias voltadas para o "mar de dentro" e quatro compartimentos — habitações, quartel e paiol —, numa área de 600 m². Fica na região do Boldró, perto de onde hoje é o Centro de Visitantes do Parque Nacional, e é um dos mirantes mais procurados para ver o pôr do sol.

O Forte São José, construído entre 1758 e 1761, tinha a função de impedir o desembarque nas ilhas secundárias (Rasa, Rata, do Meio e Sela Gineta) e na Baía de Santo Antônio, numa área de 240 m².

Juntos, os dez fortes formavam um cinturão defensivo ao redor da ilha principal — hoje, são um dos atrativos históricos mais procurados por quem visita Noronha.

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