A flora do arquipélago de Fernando de Noronha
A composição florística de Fernando de Noronha é formada, predominantemente, por espécies de ampla distribuição neotropical, oriundas principalmente do Caribe e da América do Sul. Apesar de ser classificada por alguns pesquisadores como típica de Mata Atlântica, a flora da ilha — que muda bastante conforme a estação — é mais corretamente chamada de Mata Estacional Decidual: ela não tem semelhança real com florestas continentais nem com a flora da ilha oceânica de Trindade, o que contraria a classificação da vegetação de Noronha como "Mata Atlântica Insular" ou representante do bioma Caatinga.
Atualmente, a flora do arquipélago conta com o registro de mais de 250 espécies — mas apenas duas são endêmicas de Fernando de Noronha: a cactácea Cereus insularis e a trepadeira Combretum rupicolum. O restante das espécies não apresenta clara adaptação de origem, resultado de séculos de extração da cobertura vegetal original e da introdução de espécies, o que hoje se reflete num cenário de pobreza vegetacional e na presença abundante de espécies invasoras.
Quanto a como essas espécies chegaram à ilha: sementes aladas, minúsculas e leves, viajaram com as correntes aéreas por milhares de quilômetros, podendo ser encontradas agregadas à oleosidade das penas de aves marinhas migratórias — outras sementes também estão presentes nos excrementos de espécies de aves terrestres migratórias, capazes de atravessar, em voos sem escala, de um continente a outro.
A cobertura vegetal mais próxima da que originalmente cobria Fernando de Noronha pode ser encontrada entre a Baía dos Porcos e a Ponta da Sapata, e próximo à base do Morro do Pico. Nas trilhas da ilha principal, são comuns espécies como a burra-leiteira (Sapium sceleratum), de seiva tóxica, e o mulungu (Erythrina velutina), que durante a época seca perde as folhas em troca de flores alaranjadas.
